O latim e as línguas modernas – Série: Origem da língua latina – parte 4

O latim e as línguas modernas

O latim espalhado por vastas regiões foi sendo desmembrado em vários dialetos, até chegar o momento em que não era mais possível dizer que tais dialetos fossem Latim, ainda que muito próximos.

Os dialetos tornavam-se línguas mais bem estruturadas a partir do momento em que grandes autores iam forjando sua literatura, transformando sua rudeza em línguas amplamente usadas, como o espanhol, francês, português, italiano.

No português nós tivemos Luís de Camões. A sua monumental obra Os Lusíadas foi o grande marco divisor entre uma língua rude e uma língua bem estruturada. Podemos afirmar que foi Luís de Camões que forjou a língua portuguesa, assim como Dante Alighieri o fez com o italiano. Apesar da grande semelhança entre o italiano e o latim, foi o dialeto do italiano que Dante escolheu para escrever a Divina Comédia que tornou-se no dialeto predominante daquele país.

Foi o conhecimento da língua latina destes grandes escritores que lhes conferiu a habilidade necessária para estruturar as línguas vernáculas e forjá-las em línguas mais racionais, ainda que tais línguas não possam acompanhar, plenamente, a racionalidade do latim.

Dentre todas as línguas românicas, a última flor do Lácio foi o português. De fato, não fora o português a última língua a se desmembrar do latim, ela foi a última a ganhar uma racionalidade suficiente para estar ao lado das outras grandes línguas de origem latina. É nesse sentido que podemos dizer que o português é a última flor do Lácio, onde o Lácio é como uma grande roseira donde brotou muitas flores. As flores foram alimentadas pela seiva da roseira. Conhecer a roseira é mais do que simplesmente conhecer melhor a flor; conhecer o latim é mais do que conhecer melhor o português.

Podemos aprender inglês, espanhol ou qualquer outra língua, mas o latim é mais que aprender, o latim é mais que uma língua. A seiva advinda do Lácio revigora, não apenas os nossos idiomas modernos, mas revigora o nosso modo de pensar, de raciocinar, de compreender a cultura antiga e a cultura de hoje.

 

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